Entrevista que nos deixou meio triste!
"O grupo paulista Exaltasamba marcou data para se separar: fevereiro de 2012. Mas está lançando CD e DVD em comemoração a seus 25 anos. De um lado está o disco que radicaliza a proposta de diálogo do pagode com outros gêneros – do funk à música cristã, passando pelo sertanejo (com direito à participação especial de Chitãozinho e Xororó no DVD). De outro, as estrelas Thiaguinho e Péricles anunciam projetos solo a partir de 2012.
“Estamos, como sempre, olhando para o futuro”, afirma Thiaguinho, ressaltando que a turma vem celebrando sua história com canções inéditas. Domingo e segunda-feira, o Exaltasamba vai cantar no Espaço Folia para se despedir dos mineiros. Os sucessos, claro, estarão no repertório.
“Como qualquer outro gênero, o samba deve dialogar com todos os ritmos, sem preconceito. Esse intercâmbio te faz crescer, você assimila e ele te influencia. Não ficamos limitados, essa é a nossa verdade”, diz Thiaguinho.
A origem do projeto 25 anos ao vivo foi o desejo de apostar na mistura. “Mas com espírito de inovação, procurando não pensar na música de maneira restrita”, observa o cantor. Para ele, o sucesso dessas duas décadas e meia de carreira tem explicação: “O boom do Exalta vem do fato de sermos um grupo que tem história linda, mas também ousadia para mudar. Quanto mais desafios, melhor”.
Ele garante: cada show da turnê de despedida é feito com toda a energia. “Como se fosse o último”, resume Thiaguinho. A última apresentação está marcada para fevereiro em Camboriú, litoral de Santa Catarina.
O cantor é só elogios para o grupo, que representou uma escola para ele. E lista ingredientes essenciais para o sucesso: seriedade, respeito aos fãs, competência e ousadia. Thiaguinho não esconde que problemas decorrentes da longa convivência vêm se arrastando desde 2007. “Não foi briga. Se tivesse ocorrido uma, o Exalta acabaria na hora”, garante.
O ciclo chegou ao final, define ele. “No meio disso, surgiu a minha vontade, e também a do Péricles, de fazer discos solo”, explica. Thiaguinho assegura: a questão se decidiu em comum acordo. “Foi bom tudo ter sido resolvido com tranquilidade, na amizade. Eu e Pericles vamos continuar no mesmo caminho”, acrescenta. Aviso aos fãs: prossegue a parceria. Os dois continuarão compondo juntos. Mas o fim do Exalta chegou. “A decisão é irreversível”, jura Thiaguinho.
Memória - O samba de São Bernardo
O Exaltasamba surgiu em 1986. Foi criado por músicos que tocavam pagode em bares e restaurantes de São Bernardo do Campo (SP). O primeiro disco, Eterno amanhecer , veio em 1992, mas os paulistas estouraram quatro anos depois, com Luz do desejo. 25 anos ao vivo é o 17º álbum e o quarto DVD. Os paulistas venderam cerca de 10 milhões de discos. Integrante do Exalta desde a fundação, Pinha define o trabalho como “samba de raiz com muita inovação e romantismo”. Os grupo reúne Péricles (banjo e vocal), Thiaguinho (banjo e vocal), Pinha (repique-de-mão), Brilhantina (cavaquinho) e Thell (tantã).
Desde 2003, Thiago André Barbosa, o Thiaguinho, é vocalista do Exaltasamba ao lado de Péricles. Filho de professores, foi criado no interior de São Paulo e do Mato Grosso do Sul. Aos 12, já tocava violão e começou a compor. Aos 14, aprendeu cavaquinho; aos 15 fundou seu primeiro grupo de pagode – o Sabe Demais.
Aos 18, Thiaguinho ficou conhecido por participar do programa Fama. Não foi o vencedor, mas saiu do reality show direto para o Exaltasamba. “Vivo hoje o que sempre sonhei. Porém, a gente sempre quer conquistar mais: manter o carinho dos fãs e a alegria da música, mas de forma cada vez mais livre”, explica ele, referindo-se a seu projeto de disco solo. Desde criança, sonhava ser ídolo. Como Lulu Santos ou Zeca Pagodinho? “Zeca Pagodinho”, responde, fiel ao samba.
Há muito tempo Thiaguinho defende que o gênero deve se misturar a outros – proposta que está no último disco do grupo. “Nesse sentido, o Exaltasamba é pop”, afirma o compositor.
O conselho dele para quem quer se dedicar à carreira é simples: Perseverança. “Viver de samba no Brasil não é fácil, a gente sofre muito preconceito. Estamos quebrando esse preconceito, mas a carreira continua sendo difícil”, adverte.
De acordo com ele, o artista deve se profissionalizar, construir uma base. “Não adianta ficar só sonhando”, avisa. E praticar, para estar preparado quando a oportunidade chegar. “Em música, a força de vontade conta mais que escola. O palco ensina muito. O que aprendi com o Exaltasamba nenhuma universidade ensina”, garante.
O som do subúrbio
O sucesso do grupo Exaltasamba foi fruto do boom do pagode no país. Na década de 1980, os brasileiros se apaixonaram pela música dos subúrbios cariocas feita por gente como Beth Carvalho, a dupla Arlindo Cruz & Sombrinha, Almir Guineto, Jorge Aragão, Zeca Pagodinho e Jovelina Pérola Negra, entre outros. Destacou-se o Fundo de Quintal, com suas inovações instrumentais e harmônicas em relação ao samba tradicional.
Em São Paulo, estouraram Raça Negra e Negritude Júnior. Minas faz parte dessa história: em 1998, o Só Pra Contrariar, criado em Uberlândia, bateu a marca de 3 milhões de cópias vendidas de um único álbum.
Há 25 anos, quando os paulistas do Exaltasamba chegaram, os pagodeiros já se destacavam como vendedores de CD em meio à euforia consumista do Plano Cruzado. Tachado de “samba mauricinho” por causa do estilo das estrelas (roupas de grife, celulares e belas louras), o pagode romântico, com seus refrões fáceis e temas melosos, tornou-se a lucrativa menina dos olhos da indústria fonográfica.
Mesmo acusado de música comercial, o som da periferia conquistou a Zona Sul, com o apoio do rádio e da TV. Filão das gravadoras, os pagodeiros passaram a ser fabricados em série, para horror dos adeptos do samba de raiz."
Fonte : Divirta -se notícia!
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